Rotura Traumática da Aorta Torácica: Pseudoaneurisma e Hemotórax na Angiotomografia

postado em: 16/10/26

A rotura traumática da aorta torácica é uma lesão de alta gravidade e um dos diagnósticos que precisam ser reconhecidos rapidamente na avaliação do paciente politraumatizado.

Na tomografia, o desafio não é apenas perceber que existe uma alteração na aorta. É identificar onde está a lesão, como ela se apresenta, quais sinais indiretos estão associados e quais achados precisam ser comunicados imediatamente à equipe assistente.

Neste caso, analisamos uma angiotomografia arterial do tórax com rotura contida da aorta torácica, formação de pseudoaneurisma, hematoma adjacente e hemotórax à esquerda.

O que procurar na angiotomografia da aorta torácica no trauma?

A avaliação deve ser sistemática, acompanhando a aorta desde a croça até a transição toracoabdominal.
No exame apresentado, a análise começa pelos principais ramos da croça da aorta e segue inferiormente, observando não apenas o lúmen vascular, mas também a gordura e os tecidos ao redor do vaso.
Esse cuidado é importante porque algumas alterações indiretas podem aparecer antes mesmo de o foco

Assista à aula completa

Quer desenvolver mais agilidade e segurança na interpretação dos exames de trauma?

Nos dias 28 e 29 de novembro de 2026, acontecerá o Hands-on de Radiologia no Trauma | WeRads & InRadiando, presencialmente no INRAD HC-FMUSP, em São Paulo.

Durante dois dias de treinamento prático, três professores participarão juntos de todas as aulas, analisando os mesmos casos e debatendo os achados sob diferentes perspectivas. Cada aluno terá sua própria estação de trabalho individual para manipular os exames, acompanhar as discussões, tirar dúvidas e desenvolver seu raciocínio diagnóstico, desde a identificação das lesões até a elaboração do laudo.

Conheça a programação e garanta sua vaga:

⚠️Apenas 30 vagas disponíveis.

As inscrições serão confirmadas por ordem de conclusão do pagamento.

📍 INRAD HC-FMUSP — São Paulo/SP
📅 28 e 29 de novembro de 2026
🎓 Curso exclusivo para médicos
✅ Certificado de participação

Hemotórax associado ao trauma

Um dos primeiros achados do exame é a presença de derrame pleural à esquerda.

Dentro do contexto traumático apresentado, esse conteúdo pleural é interpretado como hemotórax.

Esse tipo de achado deve sempre ser correlacionado com o restante do exame, principalmente quando existe suspeita de lesão vascular torácica.

Densificação ao redor da aorta

Outro achado importante é a alteração da gordura adjacente à aorta.

Em condições habituais, a gordura ao redor dos vasos apresenta baixa atenuação. Neste caso, observa-se uma densificação dos tecidos ao redor da croça e da aorta torácica, que se estende inferiormente até a transição toracoabdominal.

Essa alteração faz parte do conjunto de achados relacionados ao trauma aórtico apresentado no exame.

Pseudoaneurisma e rotura contida da aorta

O achado central está localizado no joelho posterior da croça da aorta.

Nessa região, observa-se:

  • irregularidade do contorno aórtico;
  • aumento focal do calibre;
  • imagem de adição;
  • heterogeneidade da parede e do lúmen;
  • hematoma adjacente.

O conjunto desses achados caracteriza uma rotura contida da aorta torácica com formação de pseudoaneurisma.

Por que a região do ligamento arterioso é importante?

A lesão está localizada próxima à topografia do ligamento arterioso.

Na aula, essa região é destacada como um ponto de atenção na avaliação das lesões traumáticas da aorta torácica.

Por isso, ao revisar a fase arterial de um exame de trauma, essa porção da croça deve ser analisada com especial cuidado.

Hematoma mediastinal e extensão da lesão

Além do pseudoaneurisma, o exame demonstra hematoma adjacente à aorta, estendendo-se inferiormente até a transição da aorta torácica com a aorta abdominal.

Essa extensão pode ser melhor compreendida quando a análise não se limita aos cortes axiais.

A importância das reconstruções sagitais e coronais

A reconstrução sagital ajuda a demonstrar:

  • a aorta torácica ascendente;
  • a croça da aorta;
  • a origem da artéria subclávia esquerda;
  • o pseudoaneurisma;
  • o hematoma adjacente;
  • a irregularidade do contorno da aorta.

No caso apresentado, o plano sagital facilita especialmente a visualização da lesão próxima ao ligamento arterioso.

As reconstruções coronais também devem fazer parte da avaliação.

MIP ajuda, mas não substitui os cortes finos

O MIP pode auxiliar na visualização da aorta e da imagem de adição relacionada ao pseudoaneurisma.

No entanto, ele não deve ser analisado isoladamente.

A sobreposição de estruturas pode dificultar a interpretação em alguns casos. Por isso, o exame deve ser revisado também nos cortes finos axiais, além dos planos sagital e coronal.

O que deve ser priorizado na TC de corpo inteiro no trauma?

Em exames de politrauma, há muitas regiões e muitas alterações possíveis para analisar.

Mas alguns diagnósticos precisam ser reconhecidos rapidamente.

A rotura traumática da aorta torácica é um deles.

Na avaliação inicial da TC de corpo inteiro, a fase arterial merece atenção especial justamente porque pode demonstrar alterações vasculares potencialmente críticas.

O objetivo nessa primeira passagem não é necessariamente detalhar cada pequena alteração do exame, mas reconhecer os achados que precisam ser comunicados rapidamente à equipe cirúrgica.

Principais achados deste caso

Neste exame, os principais achados foram:

  • rotura traumática contida da aorta torácica;
  • pseudoaneurisma no joelho posterior da croça;
  • hematoma adjacente à aorta;
  • extensão do hematoma até a transição toracoabdominal;
  • hemotórax à esquerda.

A interpretação sistemática da fase arterial e o uso das reconstruções multiplanares foram fundamentais para caracterizar a lesão.

O WeRads produz conteúdos de educação médica voltados à interpretação de exames de imagem, ao desenvolvimento do raciocínio diagnóstico e à aplicação prática do conhecimento na rotina radiológica.
 

Entre a imagem e a conduta, está a segurança de quem sabe interpretar.