postado em: 09/10/26
O hiperrealce das glândulas adrenais na tomografia computadorizada (TC) é um achado que pode ser observado em pacientes graves, particularmente em situações de choque hipovolêmico ou séptico.
Na radiologia de emergência, reconhecer esse padrão pode fornecer uma informação adicional sobre o estado hemodinâmico do paciente, especialmente quando associado a outros achados tomográficos e ao contexto clínico.
Neste artigo, vamos discutir como identificar o hiperrealce arterial das adrenais, utilizando um caso real de politraumatismo grave, com múltiplas lesões traumáticas e focos de sangramento ativo.
A avaliação do hiperrealce adrenal depende da interpretação adequada da fase contrastada.
Na fase arterial, as glândulas adrenais podem apresentar realce particularmente intenso, que deve ser avaliado em conjunto com a opacificação vascular e o padrão de realce dos demais órgãos.
O principal achado é a hiperatenuação acentuada das glândulas adrenais, visualmente desproporcional ao realce habitual dos demais órgãos.
Em pacientes politraumatizados, é importante distinguir o hiperrealce relacionado ao estado hemodinâmico de alterações decorrentes de trauma direto das glândulas adrenais.
O hiperrealce das adrenais tem sido descrito em pacientes com choque e outras condições críticas, podendo estar relacionado às alterações circulatórias e à resposta fisiológica ao estresse.
Em situações de hipoperfusão sistêmica, podem ocorrer modificações na distribuição do fluxo sanguíneo e no padrão de realce dos órgãos abdominais.
Na TC, essas alterações podem fazer parte de um conjunto de achados conhecido como complexo de hipoperfusão tomográfica (CT hypoperfusion complex).
Entretanto, o hiperrealce adrenal não confirma isoladamente a presença de choque, nem permite determinar sua causa ou gravidade. Sua interpretação deve considerar os demais achados do exame e as informações clínicas disponíveis.
Na aula, apresentamos a tomografia computadorizada de um paciente vítima de trauma grave com múltiplas lesões envolvendo diferentes regiões anatômicas.
A avaliação do exame demonstra:
Trauma de face e crânio: múltiplas lesões faciais e fratura da mastoide;
Trauma torácico: pneumotórax bilateral drenado e áreas de contusão pulmonar;
Trauma abdominal: pneumoperitônio, sem identificação tomográfica definitiva da lesão de víscera oca responsável;
Trauma pélvico: múltiplas fraturas da pelve, incluindo o sacro e estruturas púbicas e isquiáticas;
Hemorragia ativa: focos de extravasamento de contraste associados às fraturas pélvicas;
Lesões adicionais: lesão na cauda pancreática e lesão traumática da adrenal esquerda com sangramento ativo.
Nesse contexto de trauma grave e choque hipovolêmico, a avaliação da fase arterial demonstra hiperrealce bilateral das glândulas adrenais.
O achado é particularmente evidente na adrenal direita, que apresenta realce acentuado sem sinais de trauma direto.
A associação entre os achados traumáticos, o sangramento ativo e o hiperrealce adrenal reforça a importância de correlacionar os sinais tomográficos com a condição hemodinâmica da paciente.
Em exames de politrauma, alterações mais evidentes, como fraturas complexas e focos de sangramento ativo, naturalmente atraem a atenção do radiologista.
Entretanto, outros achados podem fornecer informações relevantes sobre a condição geral do paciente.
Uma avaliação sistemática do exame, percorrendo as diferentes regiões anatômicas e analisando as fases contrastadas, ajuda a identificar tanto as lesões traumáticas quanto alterações associadas ao estado hemodinâmico.
No caso apresentado, o hiperrealce adrenal é reconhecido durante essa análise sequencial da tomografia.
Além de identificar o achado, é importante correlacioná-lo com a equipe assistencial, investigando a presença de instabilidade hemodinâmica, hipovolemia e medidas de ressuscitação volêmica.
Quando identificado, o hiperrealce adrenal pode ser descrito como um achado adicional, particularmente em pacientes com suspeita ou confirmação de instabilidade hemodinâmica.
Uma sugestão de descrição é:
“Acentuado realce arterial bilateral das glândulas adrenais, achado que pode estar associado ao contexto de hipoperfusão sistêmica, recomendando-se correlação com o estado hemodinâmico.”
Quando houver lesão traumática adrenal associada, ela deve ser descrita separadamente, incluindo a presença de hematoma ou extravasamento ativo de contraste, quando identificados.
É importante ressaltar que o hiperrealce adrenal é um achado inespecífico e deve ser interpretado em conjunto com as demais alterações tomográficas e o quadro clínico.
Quer desenvolver mais agilidade e segurança na interpretação dos exames de trauma?
Nos dias 28 e 29 de novembro de 2026, acontecerá o Hands-on de Radiologia no Trauma | WeRads & InRadiando, presencialmente no INRAD HC-FMUSP, em São Paulo.
Durante dois dias de treinamento prático, três professores participarão juntos de todas as aulas, analisando os mesmos casos e debatendo os achados sob diferentes perspectivas. Cada aluno terá sua própria estação de trabalho individual para manipular os exames, acompanhar as discussões, tirar dúvidas e desenvolver seu raciocínio diagnóstico, desde a identificação das lesões até a elaboração do laudo.
Conheça a programação e garanta sua vaga:
⚠️Apenas 30 vagas disponíveis.
As inscrições serão confirmadas por ordem de conclusão do pagamento.
📍 INRAD HC-FMUSP — São Paulo/SP
📅 28 e 29 de novembro de 2026
🎓 Curso exclusivo para médicos
✅ Certificado de participação
Entre a imagem e a conduta, está a segurança de quem sabe interpretar.