postado em: 17/10/26
A fratura em livro aberto da bacia (open book fracture) é uma lesão traumática importante da pelve, geralmente associada a mecanismo de alta energia e comprometimento ligamentar.
Na prática, o diagnóstico não termina na identificação da diástase da sínfise púbica. É fundamental avaliar também as articulações sacroilíacas, procurar fraturas associadas, hematomas extraperitoneais e sinais de sangramento ativo.
Neste caso, mostramos como integrar os achados da radiografia e da tomografia computadorizada para compreender o mecanismo da lesão e reconhecer as principais alterações relacionadas.
A pelve é estabilizada por estruturas ósseas e ligamentares que mantêm a continuidade do anel pélvico.
No mecanismo em “livro aberto”, ocorre uma força que promove abertura anterior da pelve, podendo causar:
O nome “livro aberto” vem justamente do aspecto de abertura da pelve, como se as duas hemipelves se afastassem anteriormente.
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Na radiografia da bacia, o principal achado deste caso é o afastamento da sínfise púbica.
A comparação com a anatomia habitual ajuda a perceber que esse espaço está aumentado.
No exame apresentado, não há uma fratura grosseira com grande desvio evidente na radiografia, mas a abertura da sínfise já direciona o raciocínio para o mecanismo em livro aberto.
A tomografia permite avaliar não apenas as estruturas ósseas, mas também as partes moles, hematomas e possíveis focos de sangramento.
Uma leitura sistemática ajuda a evitar que a atenção fique restrita à sínfise púbica.
Na avaliação das partes moles, observa-se assimetria da musculatura do reto abdominal, com aumento de volume à esquerda e acúmulo líquido adjacente.
Esse achado corresponde a um hematoma extraperitoneal.
Mais inferiormente, outro hematoma também é identificado na porção anterior da pelve.
Esses achados são importantes porque ajudam a demonstrar a extensão do trauma para além das estruturas ósseas.
Na janela óssea, observa-se novamente a diástase da sínfise púbica.
Na tomografia, esse afastamento é menor do que o observado na radiografia inicial, em contexto de estabilização externa prévia com lençol.
Isso mostra como medidas de contenção podem alterar parcialmente a aparência do anel pélvico no exame realizado posteriormente.
A análise não deve parar na sínfise púbica.
Neste caso, observa-se também uma mínima diástase da articulação sacroilíaca esquerda.
Esse achado é importante porque ajuda a demonstrar que a força do trauma não ficou restrita à região anterior da pelve.
Em traumas pélvicos, além das fraturas e lesões ligamentares, é fundamental procurar sangramento ativo, principalmente nas regiões próximas a hematomas, fraturas e áreas de disjunção.
Neste caso, a fase arterial mostra focos de realce adjacentes à região da sínfise púbica.
Nas fases subsequentes, observa-se progressão desse realce, caracterizando sangramento ativo.
A comparação entre as fases arterial e posteriores ajuda a distinguir um foco de sangramento de outras estruturas vasculares ou de realces inespecíficos.
No caso apresentado, o aumento progressivo da área de contraste reforça o diagnóstico de extravasamento ativo.
O conjunto das imagens demonstra:
A principal mensagem é que reconhecer a abertura da sínfise púbica é apenas o começo.
Em uma fratura em livro aberto, é importante procurar sistematicamente:
Entre a imagem e a conduta, está a segurança de quem sabe interpretar.