Hiperrealce das adrenais na tomografia: um sinal de alerta no paciente grave

postado em: 09/10/26

O hiperrealce das glândulas adrenais na tomografia computadorizada (TC) é um achado que pode ser observado em pacientes graves, particularmente em situações de choque hipovolêmico ou séptico.

Na radiologia de emergência, reconhecer esse padrão pode fornecer uma informação adicional sobre o estado hemodinâmico do paciente, especialmente quando associado a outros achados tomográficos e ao contexto clínico.

Neste artigo, vamos discutir como identificar o hiperrealce arterial das adrenais, utilizando um caso real de politraumatismo grave, com múltiplas lesões traumáticas e focos de sangramento ativo.

O que é o hiperrealce das glândulas adrenais?

1. Verifique a fase de aquisição

A avaliação do hiperrealce adrenal depende da interpretação adequada da fase contrastada.

Na fase arterial, as glândulas adrenais podem apresentar realce particularmente intenso, que deve ser avaliado em conjunto com a opacificação vascular e o padrão de realce dos demais órgãos.

2. Compare o realce das adrenais com as demais estruturas

O principal achado é a hiperatenuação acentuada das glândulas adrenais, visualmente desproporcional ao realce habitual dos demais órgãos.

3. Diferencie o hiperrealce de uma lesão traumática adrenal

Em pacientes politraumatizados, é importante distinguir o hiperrealce relacionado ao estado hemodinâmico de alterações decorrentes de trauma direto das glândulas adrenais.

Hiperrealce adrenal e choque hipovolêmico: qual é a relação?

O hiperrealce das adrenais tem sido descrito em pacientes com choque e outras condições críticas, podendo estar relacionado às alterações circulatórias e à resposta fisiológica ao estresse.

Em situações de hipoperfusão sistêmica, podem ocorrer modificações na distribuição do fluxo sanguíneo e no padrão de realce dos órgãos abdominais.

Na TC, essas alterações podem fazer parte de um conjunto de achados conhecido como complexo de hipoperfusão tomográfica (CT hypoperfusion complex).

Entretanto, o hiperrealce adrenal não confirma isoladamente a presença de choque, nem permite determinar sua causa ou gravidade. Sua interpretação deve considerar os demais achados do exame e as informações clínicas disponíveis.

Caso clínico: hiperrealce bilateral das adrenais em paciente com politrauma grave

Na aula, apresentamos a tomografia computadorizada de um paciente vítima de trauma grave com múltiplas lesões envolvendo diferentes regiões anatômicas.

A avaliação do exame demonstra:

  • Trauma de face e crânio: múltiplas lesões faciais e fratura da mastoide;

  • Trauma torácico: pneumotórax bilateral drenado e áreas de contusão pulmonar;

  • Trauma abdominal: pneumoperitônio, sem identificação tomográfica definitiva da lesão de víscera oca responsável;

  • Trauma pélvico: múltiplas fraturas da pelve, incluindo o sacro e estruturas púbicas e isquiáticas;

  • Hemorragia ativa: focos de extravasamento de contraste associados às fraturas pélvicas;

  • Lesões adicionais: lesão na cauda pancreática e lesão traumática da adrenal esquerda com sangramento ativo.

Nesse contexto de trauma grave e choque hipovolêmico, a avaliação da fase arterial demonstra hiperrealce bilateral das glândulas adrenais.

O achado é particularmente evidente na adrenal direita, que apresenta realce acentuado sem sinais de trauma direto.

A associação entre os achados traumáticos, o sangramento ativo e o hiperrealce adrenal reforça a importância de correlacionar os sinais tomográficos com a condição hemodinâmica da paciente.

Por que a avaliação sistemática da TC é tão importante?

Em exames de politrauma, alterações mais evidentes, como fraturas complexas e focos de sangramento ativo, naturalmente atraem a atenção do radiologista.

Entretanto, outros achados podem fornecer informações relevantes sobre a condição geral do paciente.

Uma avaliação sistemática do exame, percorrendo as diferentes regiões anatômicas e analisando as fases contrastadas, ajuda a identificar tanto as lesões traumáticas quanto alterações associadas ao estado hemodinâmico.

No caso apresentado, o hiperrealce adrenal é reconhecido durante essa análise sequencial da tomografia.

Além de identificar o achado, é importante correlacioná-lo com a equipe assistencial, investigando a presença de instabilidade hemodinâmica, hipovolemia e medidas de ressuscitação volêmica.

O que relatar no laudo?

Quando identificado, o hiperrealce adrenal pode ser descrito como um achado adicional, particularmente em pacientes com suspeita ou confirmação de instabilidade hemodinâmica.

Uma sugestão de descrição é:

“Acentuado realce arterial bilateral das glândulas adrenais, achado que pode estar associado ao contexto de hipoperfusão sistêmica, recomendando-se correlação com o estado hemodinâmico.”

Quando houver lesão traumática adrenal associada, ela deve ser descrita separadamente, incluindo a presença de hematoma ou extravasamento ativo de contraste, quando identificados.

É importante ressaltar que o hiperrealce adrenal é um achado inespecífico e deve ser interpretado em conjunto com as demais alterações tomográficas e o quadro clínico.

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