postado em: 16/10/26
A rotura traumática da aorta torácica é uma lesão de alta gravidade e um dos diagnósticos que precisam ser reconhecidos rapidamente na avaliação do paciente politraumatizado.
Na tomografia, o desafio não é apenas perceber que existe uma alteração na aorta. É identificar onde está a lesão, como ela se apresenta, quais sinais indiretos estão associados e quais achados precisam ser comunicados imediatamente à equipe assistente.
Neste caso, analisamos uma angiotomografia arterial do tórax com rotura contida da aorta torácica, formação de pseudoaneurisma, hematoma adjacente e hemotórax à esquerda.
A avaliação deve ser sistemática, acompanhando a aorta desde a croça até a transição toracoabdominal.
No exame apresentado, a análise começa pelos principais ramos da croça da aorta e segue inferiormente, observando não apenas o lúmen vascular, mas também a gordura e os tecidos ao redor do vaso.
Esse cuidado é importante porque algumas alterações indiretas podem aparecer antes mesmo de o foco
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Um dos primeiros achados do exame é a presença de derrame pleural à esquerda.
Dentro do contexto traumático apresentado, esse conteúdo pleural é interpretado como hemotórax.
Esse tipo de achado deve sempre ser correlacionado com o restante do exame, principalmente quando existe suspeita de lesão vascular torácica.
Outro achado importante é a alteração da gordura adjacente à aorta.
Em condições habituais, a gordura ao redor dos vasos apresenta baixa atenuação. Neste caso, observa-se uma densificação dos tecidos ao redor da croça e da aorta torácica, que se estende inferiormente até a transição toracoabdominal.
Essa alteração faz parte do conjunto de achados relacionados ao trauma aórtico apresentado no exame.
O achado central está localizado no joelho posterior da croça da aorta.
Nessa região, observa-se:
O conjunto desses achados caracteriza uma rotura contida da aorta torácica com formação de pseudoaneurisma.
A lesão está localizada próxima à topografia do ligamento arterioso.
Na aula, essa região é destacada como um ponto de atenção na avaliação das lesões traumáticas da aorta torácica.
Por isso, ao revisar a fase arterial de um exame de trauma, essa porção da croça deve ser analisada com especial cuidado.
Além do pseudoaneurisma, o exame demonstra hematoma adjacente à aorta, estendendo-se inferiormente até a transição da aorta torácica com a aorta abdominal.
Essa extensão pode ser melhor compreendida quando a análise não se limita aos cortes axiais.
A reconstrução sagital ajuda a demonstrar:
No caso apresentado, o plano sagital facilita especialmente a visualização da lesão próxima ao ligamento arterioso.
As reconstruções coronais também devem fazer parte da avaliação.
O MIP pode auxiliar na visualização da aorta e da imagem de adição relacionada ao pseudoaneurisma.
No entanto, ele não deve ser analisado isoladamente.
A sobreposição de estruturas pode dificultar a interpretação em alguns casos. Por isso, o exame deve ser revisado também nos cortes finos axiais, além dos planos sagital e coronal.
Em exames de politrauma, há muitas regiões e muitas alterações possíveis para analisar.
Mas alguns diagnósticos precisam ser reconhecidos rapidamente.
A rotura traumática da aorta torácica é um deles.
Na avaliação inicial da TC de corpo inteiro, a fase arterial merece atenção especial justamente porque pode demonstrar alterações vasculares potencialmente críticas.
O objetivo nessa primeira passagem não é necessariamente detalhar cada pequena alteração do exame, mas reconhecer os achados que precisam ser comunicados rapidamente à equipe cirúrgica.
Neste exame, os principais achados foram:
A interpretação sistemática da fase arterial e o uso das reconstruções multiplanares foram fundamentais para caracterizar a lesão.
Entre a imagem e a conduta, está a segurança de quem sabe interpretar.